Sábado, Abril 05, 2003

Melancolia

Uma tristezinha fininha, como as gotículas que caem neste instante sobre o rosto, melancolia. Dia entre preenchimento de formulários e filmes no vídeo, entre a cozinha, o quarto e a sala, pensar apenas. E o futuro, inóspito. E o passado, uma mistura de alegrias e tristezas, alegria de cores berrantes, tristeza por ser passado. Motivos não existem, é predisposição de um corpo circulando por este espaço a minha volta, pensar.

No sorriso da personagem relembro o meu, as mesmas esperanças, a mesma alegria transbordante, o mesmo não se importar com o mundo, deixa pra lá, a mesma crença na eternidade. Não, eu sei que terminou, mas. Medo, nunca mais sentir o mesmo, ser uno até o fim, não se sentir embriagada, não se entregar mais.

Não, é a madrugada, a culpa é da solitária madrugada de lembranças dos corpos, mãos, bocas unidas, hoje eremitério e voz embargada, sem nada a dizer além destas palavras, silêncio pensativo.