O Rio de Janeiro está bem. Ah sim, dizem que tem a violência, mas eu não tenho me encontrado com ela. Tenho me encontrado com médicos, doentes, livros e poeira. Tenho me encontrado com prédios antigos, ruas estreitas e povo, muito povo nas ruas. Tenho me encontrado com sol (apesar de hoje não está sol) e com ar-condicionado. Mas, principalmente, tenho encontrado os livros e a essência da qual sou feita. Será que sentiram falta de mim? Tudo bem, faz apenas uma semana que aqui estive, mas era um eu sem falar de mim. Hoje eu tento quebrar o silêncio no qual estivesse mergulhada. Águas profundas estas que mergulho. Estou mergulhada nas águas profundas de mim. Não cheguei ainda ao fundo, creio, mas nadei de fôlego para a superfície apenas para dizer que estou viva e para me manter viva. Afinal, nestes mergulhos posso acabar presa, e morrer no fundo de mim. Como seria a morte deste mergulho? Não, eu não quero saber. Investigo, nestes mergulhos, apenas a essência de que sou feita. Sem dinheiro, sem emprego, sem muitas das coisas que as pessoas usam para se definir: quem sou? Quem sou se eu não tiver nada e passar os dias a vagar por um lugar que não há ninguém que eu conheço, um lugar que eu não conheço e que me considere quase um nada? Acho que estou ainda com o equipamento de mergulho. Por isso, não posso falar um vocabulário normal. Vim apenas dizer que estou bem e prendo a respiração antes de entrar no mar. Volto a falar de mim em breve, mas continuarei (começarei talvez) a falar do lugar e das coisas prosaicas que anda acontecendo nesta terra aqui.
Sexta-feira, Setembro 02, 2005
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