Segundo a lenda, uma quase-menina virou lua e depois de cair em desgraça de amor, esfinge tornou-se. Porém, um dia, a esfinge viajou a terras distantes e acabou transformando-se numa linda índia, que por amor, embarcou a terra desconhecida. Teve que retornar, sem nenhum motivo conclusivo e, ao mesmo tempo, por muitos motivos. Neste momento foi, símbolo máximo da transformação, lagarta, crisálida e borboleta. Voou, voou, voou e mergulhou num mar profundo. Foi assim que a borboleta morreu, mas dela, uma forma estranha de peixe que gosta das profundezas dos mares voltou. Doce foi aquele momento em que percebi que estava quase voltando a superfície. Quase? Fui eu? E tão pouco este peixe em mim habita e já tem seu fim decretado. Ah, que forma será esta que nascerá em mim deste novo reencontro com aquele que vive muito longe de pindorama. Uma coisa é certa, peixes não vivem muito tempo depois de um encontro como este. Que espécie assumirei, nesta nova vida que novamente se aproxima. Eu bem que gostaria que fosse a última, mas me conheço o bastante para saber que será mais uma. Com a lupa em punho, arregalo os olhos a fim de melhor observar um mundo que nunca tinha visto. É que ele mesmo muda constantemente a minha frente, ou a frente de meus eus que renascem e morrem. Todos eles sustentam a coragem de ser tantos e um. No fim, a minha forma é esta única, um tanto índia, um tanto negra, um tanto branca; um tanto humana, um tanto subumana, um tanto sobre-humana. Ah sim, eu quase sou uma princesa a espera do encontro com meu quase príncipe.
Domingo, Setembro 18, 2005
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