Ato falho foi quando sem querer o meu inconsciente manifestou a minha queda de amor a um amigo lá na minha adolescência. Eu não queria, guardava aquele sentimento em piadinhas divertidas a cada menina que ele arranjava. O sentimento ficava ali escondido bem fundo, mas um dia, numa frase mal colocada tava lá, tudo aquilo que eu não queria a ele mostrar. Ato falho foi quando sem querer ele manifestou a verdade, está em reeleição. Apenas me pergunto porque tenta esconder o óbvio. Todos já perceberam este desejo guardado. Ele não quer, guarda a vontade com ilusões de pensar o que já foi bem pensado. Todo mundo já sabe a resposta. O sentimento foi exposto e engabela-se, tentativa vã de não sentir o que se sente. Ato falho é um fingimento. Fingir é desesperador demais, pede serenidade demais e exige força demais. Um dia, de tanta força para esconder o que se adoraria dizer, acaba se dizendo, mesmo que conscientemente não se quisesse porque o inconsciente desespera-se por ser ouvido, por se sublimar. E por causa duma boca que se torna grande demais, a vida acaba por complicar-se; ou descomplica-se, por que não. Ato falho é uma traição a si mesmo. Necessitamos, por um motivo ou por outro, manter aquela coisa conosco num desejo louco de ser apenas nosso. Porém, algo dentro quer mais, quer compartilhar e também arrasar, que toda verdade carrega em si um pouco da destruição. Não direi que o ato falho dele mudará alguma coisa. O meu, mudou. Quando a verdade aparece escolhe-se fazer mais força para manter a ilusão - como ele parece escolher - ou assumir a verdade. A minha verdade foi muita boa enquanto durou. Será que ela serviria de modelo a ele? Não creio, coisas de amor e politicagem não combinam.
Sábado, Novembro 19, 2005
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