Sábado, Novembro 05, 2005

lembranças de sábado

Sábado de horas arrastadas que insistem em se repetir, dentro de mim e lá fora. Todas as coisas continuam parecendo faz-de-conta. Faço de conta; apenas, faço de conta que essa aqui sou eu. Eu, a ilha. O Vento na Ilha
O vento é um cavalo
Ouça como ele corre
Pelo mar, pelo céu.
Quer me levar: escuta
como recorre ao mundo
para me levar para longe. Me esconde em teus braços
por somente esta noite,
enquanto a chuva rompe
contra o mar e a terra
sua boca inumerável. Escuta como o vento
me chama calopando
para me levar para longe. Com tua frente a minha frente,
com tua boca em minha boca,
atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
deixa que o vento passe
sem que possa me levar. Deixa que o vento corra
coroado de espuma,
que me chame e me busque
galopandanto eu, emergido
debaixo teus grandes olhos,
por somente esta noite descansarei, amor meu. Pablo Neruda