Está aberta a temporada. Carteiros, Entregadores, Lixeiros, Porteiros, Consultores dos relógios de energia, Garçons, Lojas e uma infinidade de pessoas estão querendo que meu suado dinheirinho entre em suas caixinhas, ou em época de politicamente correto, contribuição para o décimo quarto-salário - enquanto eu não tenho nem um salário normal. Nesta época todo mundo fica repentinamente mais educado, e tão desejosos de me verem que até me comove. Durante todo o ano, o carteiro coloca a minha correspondência na caixa de correio da casa da vizinha para economizar passos - uns três - porém, nesta época feliz e de festa, de repente, minha correspondência aparece não apenas em minha casa, mas em minhas mãos, pessoalmente entregue. Junto um pedido singelo de contribuição a quem passou todo o ano entregando a minha correspondência à vizinha fofoqueira que vez em quando a abre sem perceber que era minha, é claro. A proximidade do Natal torna as pessoas rapidamente mais amigas, querendo companhia, amor e carinho. Se aproximam das outras com o único desejo de comungar do amor e da felicidade próprias da data. De repente, elas se apresentam a nós, aquele desconhecido conhece. A vizinha que adora ver minhas correspondências sempre aparece nesta época do ano para filar a ceia de Natal e quem sabe dar uma olhada nos cartões natalinos que ela não tem acesso a eles nesta época do ano. O que ela não sabe é que já não ganho cartões de Natal a séculos. Talvez seu falar a ela isso, ela deixa de querer vir até aqui. Duvido muito. Assim novembro chega e a temporada pela caixinha é aberta. O entregador da lista telefônica, que aparece de três em três anos - sempre me perguntei para onde eles levam a lista nos outros anos - inaugurou a caça pela minha contribuição para um natal feliz. Todas aquelas pessoas que viram o rosto para mim durante o ano, de repente, se tornam felizes em minha companhia; minha não, a do meu dinheiro. Ho, ho, ho, é natal.
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
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