Quinta-feira, Novembro 10, 2005

querida pindorama

Não, eles não largam a carne de Pindorama querida, antes a sugam e a entristecem. Quem são eles além de nós mesmos olhando quietos a destruição que infligimos a ela com nosso silêncio. Passeamos bestificados olhando vitrines, enquanto tudo parece um jogo de fantasia que nós mesmos criamos. Acabamos por acreditar que o jogo que inventamos é a realidade. A felicidade está naquele lindo sapato da moda. Ah, este é o lugar e o povo mais rico do mundo. Ah, não há preconceito em Pindorama. Ah, somos o lugar mais libertário que existe. Os adjetivos que nos damos, acreditamos nos adjetivos. As imagens que vendemos, a única realidade do que somos. O resto é carnaval e futebol. Doces devaneios de um povo que acredita que estas são as únicas características dele mesmo. A felicidade está naquela bunda e naquele gol. Esqueçam tudo, amanhã é quarta-feira de cinzas. Esqueçam tudo, eu já me calo porque o que falo não existe, são apenas palavras. Fingimos que aquilo na tela é peça de ficção e vivemos quietos. Silêncio. A felicidade está neste não enxergar.