Cheiro de minha infância num sítio em terras nordestinas, e o cheiro estava bem aqui em Portimão numa das minhas caminhadas matinais na verdade a primeira delas. Não consigo explicar o cheiro, apenas sei que me embriaguei e mesmo andando pela praia vazia podia senti-lo. Respirei profundo. Garrafadas de oxigénio com aquele cheiro jogado no fundo de mim, perfume de sítio de vovô. O dia lindo, e até inesperadamente quente para um Outono, a praia quase deserta, apenas eu e três pessoas a cata de conchas na beira mar. A maré vazia, dando espaço para atravessar duma praia a outra. O mar tão azul. Azul de verão. Com apenas duas pequenas diferenças: a temperatura e a quantidade de pessoas. Ah, porque não trouxe a máquina fotográfica E chegando em casa, ainda embriagada de cheiro e de mar, idéias aparecem, idéias e uma vontade de comer milho assado e jabuticaba, ou carne seca e pimenta. E escutar música alta para dançar, mas eu escolho a música que quero ouvir. Não faz nenhum sentido o que falo. Talvez depois de um dia respirando ar ligeiramente poluído, eu, ao entrar em contato ao ar tão puro que cheira a infância, respirei a droga mais potente do mercado, que provoca reações como fome, euforia, e mergulho profundo numa região dentro de mim que eu devia sempre visitar. Infelizmente, ainda sem saber o porquê, acaba aquela porção de mim aparecendo. É realmente, não falo coisa com coisa.
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