Terça-feira, Dezembro 20, 2005

um ponto único

A verdade é um ponto ao lado dos diversos pontos de uma reta. Se escolhemos um ponto qualquer entre os outros pontos existentes, podemos nos mover para quaisquer outros pontos desta reta infinita, melhorando o que nada mais é que uma história inventada. A partir do momento que escolhemos o ponto único da verdade não mais escolhemos nenhum outro. A verdade é ponto único. E por isso, por mais absurda que seja uma história, nada mais é que aquele absurdo perfeitamente capaz de ser verdade, porque o é. Não há como se melhorar uma verdade, torná-la mais credível. Verdade é apenas verdade, sem melhoras. Quem foi que disse que somente a mentira pode ser absurda? Num lugar de tantos absurdos com este em que vivo, ninguém pode dizer que a mentira é absurda. Diria mesmo que a mentira é a história mais plausível. A verdade é absurda. Então como mudar a verdade? Como querer que ela seja modificada para ser mais plausível neste mundo. Será que a fome é plausível? Assim mesmo é verdade que ela exista, apesar d´eu não conhecer quem tenha morrido de fome. O que é mais absurdo que entre tantas pessoas no mundo, amar apenas uma, talvez umas poucas. O mundo é absurdo. Eu já acredito em tudo. E assim mesmo há quem não acredite no que te digo. Então o que é verdade? Talvez eu tenha perdido a definição que um dia julguei saber. Histórias inventadas não são sustentadas por muito tempo, já me disseram. Talvez o que separa a verdade das tantas mentiras que poderia terem sido contadas, é justamente o tempo; o eterno juiz. Porém, será que ainda existe tempo? Olho direto nos olhos de quem vejo. A verdade depende de cada um. Cabe a mim conhecer os olhos de quem vejo e perceber se o que digo é verdade ou não. Quiçá deva me conhecer para saber. Com tantas possibilidades de melhorar esta história, eu escolhi aquela que é. Sem rodeios. Sem maneiras. Não há como fugir dela. Verdade é apenas verdade, nada mais.