Domingo, Abril 22, 2007

7. quem?

Assim que entrou Alexandre percebeu que chamava atenção das pessoas. Algumas delas o olhavam desconfiados, quase todas se calavam tão logo o notavam. Aquele não era um lugar frequentado por pessoas diferentes, parecia um clube com convite definido, e ele estava longe da definição de convidado. Todos se dispersavam, escondiam-se da cidade, o que eles não sabiam com certeza é que para cidade era imprescindível que alguns deles ali vivessem e trabalhassem e, para isso, eram mantidos sob o medo constante de que a paz devia ser mantida, com o custo do abandono daquela terra para que a oportunidade de outro lixo pudessem estar ali. Pessoas desejosas de atravessarem os muros eram o que mais existia, embora não era aconselhado que moradores acostumados ao lado de lá entrassem e espalhassem seu próprio modo de vida. Entretanto, por que a cidade estava cheio de contradições, fora o único local onde fora mantido o uso antigo. Nos tempos antigos, mercado de lixo, agora um lixo de mercado.

Pergunta ao senhor na antiga língua local com ar falsamente perdido onde podia comprar livros. O senhor o indica o corredor acima e ele quase sinceramente salta um “Obrigado!” Caminha em frente sentindo alguns metros atrás J. caminhando disfarçadamente por entre a multidão que agora estava quase quieta. Pelas indicações do colega chega a barraca do senhor que se recusava a falar outra língua que não a dele. No local, além do senhor de barbas brancas e olhos claríssimos vestindo um fato preto encardido, estava uma jovem com um capuz que cobria-lhe quase o rosto todo, de cabelos escuros notados por apenas um pequeno cacho que lhe caía na testa, que olhava com interesse genuíno um livro de capa grossa, cujas letras pequenas ele não conseguia decifrar e cuja outra metade do rosto conseguia esconder.

Interessado no velho, pega um livro velho na língua que ele conhecera numa infância antiga e pergunta sobre o livro. O velho com rosto intrigado fica mudo. Alexandre, com rosto amigável, explica que está fazendo uma pesquisa sobre línguas e pergunta se ele conhecia algum pesquisador. “Alguns”, o velho sussurra ainda desconfiado, sabia que seria difícil ganhar a confiança daquele velho hoje, mas… “podia deixar meu telefone para eles entrarem em contato comigo?” pergunta Alexandre.