Deprimida com o desaparecimento de Edgar, resolve passar pelo mercado. “Alguém lá certamente tem notícias dele”. Seele certamente não era uma frequentadora do local e nem era porque gostava ou não gostava, simplesmente não tinha o perfil falador frequentemente associado aos que dali eram. Não sendo propriamente estrangeira, também não era citadina. Talvez por isso era o tipo de imigrante mais solitário que existe, aquele que sendo dali já não o era, já que outros tomaram o lugar como o seu e o transformaram. Sobrava a ela apenas a sua língua que ela insistia em saber, mesmo sabendo que já dela não precisava. Dentro dela tinha certeza duma vida fora dos muros, mas era uma vida que de algum modo já não lembrava, se é que um dia fora dela.
Agarra-se ao capuz no momento em que desce a estação central. Em vez de seguir o norte conhecido em direção à cidade brilhante, vira a oeste, e entra no beco que dá de encontro a praça velha, mas bonita. Tinha um gosto especial por coisas antigas, talvez fosse por isso que começou a estudar línguas CTI, ao contrário de Edgar, não era a vontade de acabar com o que estava estabelecido, era vontade de ter um mundo que só a ela pertencia, palavras que não faria sentido algum além para ela e uns poucos.
Quando entrou o mercado não sentiu nenhum burburinho estranho, pessoas se encolhendo a passagem dela. Mesmo que Seele não pertencesse aquele lugar, era de tão modo estranha, com aquele capuz preto, com uns poucos cabelos escuros a cair numa franja curtíssima, com aquele ar pequenino que entrava nos lugares apenas que sentisse num a vontade que a tornava quase invisível. Era de quase todos os lugares, pensou.
Caminhou dispersamente até a banca do itali, parando aqui e ali para cheirar e sentir sabores. O sabor mais guardou para o final. Cumprimentou com um aceno de cabeça o velho, folheou um livro que a interessou e depois foi perguntar-lhe se tinha visto o Edgar. “Muito tempo que não o vejo”, “Desapareceu, disse o telejornal”, “A última vez que o vi fazia uma pesquisa, procurava um livro especial”, “Qual?”, “Não o disse, ficou a namoriscar todos os que eu tinha. Levou dois.” Agradeceu a informação e depois foi se colocar em frente a uns tantos livros, pensando no que fazer para descobrir onde estava Edgar. Foi então que ele apareceu, o estranho citadino, o homem que substituiria Edgar..
Quinta-feira, Novembro 08, 2007
11. o que?
Assinar:
Comment Feed (RSS)




|